Sábado, 5 de Janeiro de 2008

Entrevista: Alexandre Borges!

Alexandre Borges começou tarde na televisão. O actor, que interpreta o psicanalista Escobar em Desejo Proibido, estreou na Manchete em Guerra Sem Fim, em 1994, e, de lá para cá, colecionou vários personagens metidos a conquistadores, como o gigolô Bruno de A Próxima VítimaAos 41 anos, Alexandre percebe que agora tem mais oportunidades de conseguir papéis densos e com outras motivações além de tops e minissaias. "Não deixaria de aceitar um trabalho com medo de ficar rotulado. Mas a idade atrai uma profundidade maior para os personagens", avalia. Em sua primeira novela de época, o actor prefere não se prender apenas a dados históricos e tenta dar um tom contemporâneo à sua actuação. "Não trabalho em museu e não estou restaurando nada. Acho que os sentimentos e a necessidade de expressão são inerentes ao homem", explica.

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Em Desejo Proibido, que se passa no Brasil dos anos 30, você interpreta um psicanalista que se apaixona pela paciente. Você condena seu personagem por isso?
Essa não é uma característica contemporânea. Mas, estudando para a composição, vi que era algo comum antigamente. Aconteceu com vários profissionais. Só depois que constataram os malefícios desse tipo de envolvimento começaram a tomar cuidado para que não se repetisse.
Hoje em dia, a gente sabe que é algo que vai contra o código de ética da profissão, mas antes não era assim. Isso é uma coisa legal para trabalhar nesse personagem: abordar a psicanálise. As novelas costumam tratar de temas populares e estou lidando com uma ciência um pouco elitista no Brasil. Acho importante mostrar por que ela existe e que resultados pode trazer, mesmo que dentro de uma temática de época.

Como foi sua preparação para compor o Escobar?
O que mais me interessou nesse trabalho foi a possibilidade de conhecer melhor um mundo que eu já tinha alguma noção de como funcionava. É fundamental para o actor entender psicologia, filosofia e sociologia. São estudos que sempre trazem descobertas bem-vindas na construção dos personagens. Como o nosso foco é a psicanálise, me concentrei na história da psiquiatria e na sua evolução dentro da sociedade. Esse estudo me ajudou também a entender melhor a relação que o Escobar cria com a personagem da Letícia Sabatella.

Você encontrou alguma dificuldade por ser sua primeira novela de época?
Não me prendo muito a esse tipo de característica. Não procuro me transportar para uma época. É lógico que existem atitudes, comportamentos, enfim, certos códigos que demandam estudo. Mas a própria produção de arte da novela ajuda. E, de alguma maneira, tudo isso está dentro de você. Acredito que carregamos uma herança dos nossos antepassados que nos ajuda a entrar nesse clima. Por mais estranho que pareça, o que procuro é ter algum dado contemporâneo. Não trabalho em museu e não estou restaurando nada. Acho que os sentimentos e a necessidade de expressão são inerente ao homem. Busco que uma emoção seja actual.

Durante alguns anos, você interpretou personagens que tinham sua sensualidade bem explorada nas tramas. Em Desejo Proibido, apesar do clima de romance, essa abordagem já é diferente. Você acha que a maturidade trouxe novas oportunidades na televisão?
Pode ser que sim, mas acho que tudo isso depende mais da sorte mesmo. E até percebia esse lado, mas não ficava grilado. Não vou deixar de fazer um personagem que tem características parecidas com as de outros da minha carreira só para mostrar que quero fugir de rótulos.
Mesmo que eu estivesse em um contexto diferente em Desejo Proibido, trabalho um texto que é do Walther Negrão. Nunca fiz nada com ele e isso já é uma novidade. Já aumenta minha motivação para trabalhar. Mas é claro que a maturidade me traz coisas novas. Acho que atrai uma profundidade maior em algum sentido. Vejo como um caminho natural. Adorei fazer todas as novelas e foram elas que me deram todo o prestígio que eu tenho hoje. Junto com sorte, que esteve sempre ao meu lado, desde a minha estréia.

Você deveria ter estreado em O Marajá, na Manchete, mas a novela foi embargada e substituíram-na por Guerra Sem Fim, em 1994. Como você lidou com essas incertezas na época?
É muito estranho ver um trabalho seu proibido de ir ao ar. Mas acho que Guerra Sem Fim foi um grande marco da teledramaturgia e me orgulho muito de ter participado. Foi ela que me levou para a Globo.
Acho engraçado porque hoje todos acham ousado usar favelas como locação de novelas, abordar o tráfico de drogas, mas a gente fez isso há 13 anos. Não quero tirar o mérito de Vidas Opostas, mas fizemos um grande trabalho. Guardo grandes lembranças dessa época, porque estreei na televisão, recebi o convite para a Globo e conheci a Júlia Lemmertz, minha esposa, nas gravações.

Você e a Júlia estão, mais uma vez, trabalhando na mesma novela. Mesmo em núcleos diferentes, isso facilita o trabalho de vocês?
É engraçado esse "mais uma vez", porque a gente realmente faz muita coisa junto. Mas é pura coincidência. Tem gente que acha que temos esse poder de escolha, mas não funciona assim.
Bom, a melhor vantagem é que tiramos férias juntos, mas também rola de um ajudar o outro a decorar o texto. E, em cenas mais difíceis, a gente acaba ensaiando junto. Torna-se uma segurança a mais, sem dúvida. Mesmo com 20 anos de carreira, ainda tenho aquele frio na barriga com qualquer trabalho. Sempre rola aquele medo do projecto não dar certo.

Esse medo tem alguma relação com a baixa média de 23 pontos de audiência que Desejo Proibido tem conseguido?
Não. Mas não vou dar uma de hipócrita e dizer que nem me preocupo com o Ibope. Só não sou imediatista. Acho que a novela está começando e tem tudo para reconquistar a audiência do horário.
A gente vai aprendendo ao longo da carreira que vários factores ajudam e atrapalham as novelas. O horário de verão, festas de fim de ano e Carnaval, por exemplo, são inimigos da faixa das 18h. Prefiro dar tempo e ver o que acontece. Daqui a seis meses, se a novela não tiver audiência, eu também vou me perguntar o que aconteceu, onde desandou, mas por enquanto não fico grilado com isso. Tenho as inquietações normais de um actor, aquele frio na barriga mesmo, que nunca vai me deixar.

Depois de 20 anos de carreira, 13 deles na TV, como você avalia sua trajectória profissional?
Procuro viver o meu momento, sem idealizar demais. Fiquei nove anos trabalhando com um grupo de teatro de São Paulo. Me preparei, me dediquei e as pessoas viram isso, resolveram apostar em mim. Até quando isso vai durar ou até quando isso vai ser na Globo, eu não sei. Não paro para pensar nessas coisas. Prefiro aproveitar o hoje e esperar que ele me traga oportunidades melhores amanhã. E isso sempre deu certo.

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fonte: Terra

publicado por . às 11:48
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