Domingo, 16 de Março de 2008

Entrevista: Eva Wilma!

Aos 74 anos de idade e 54 de carreira, Eva Wilma diz que brinca trabalhando. E como a fria e gananciosa Cândida, de Desejo Proibido, a actriz tem voltado à infância. "Em algumas cenas a gente volta a ter 7 anos de idade. O melhor para o actor é isso, poder se divertir com o texto", confirma a veterana.A vilã da trama das seis da Globo é mais uma que a actriz deve guardar com carinho. Vai juntar a inesquecíveis figuras como as gémeas Ruth e Raquel, na primeira versão de Mulheres de Areia, da Tupi, Maria Altiva, de A Indomada, e Hilda Pontes, de Pedra Sobre Pedra. O folhetim à moda antiga de Walther Negrão é o tipo de trabalho que Eva gosta de fazer. É o estilo de trama que lhe dá prazer. A actriz pode até achar que o ofício de interpretar é uma gostosa brincadeira, mas defende que teledramaturgia é algo sério.  "As novelas se tornaram quase um programa de humor. E aí perde o sentido. Não dá para deixar de lado o romantismo e a boa história", defende a actriz. 

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Você reclamou que as novelas estavam apelativas demais e deixaram de ser interessantes. O facto de Desejo Proibido ser uma trama à moda antiga foi o que a atraiu?
Foi um dos motivos. O que me atrai para um trabalho é a proposta do autor. A evolução das novelas as levou para um caminho que as transforma quase em um programa de humor.
E acho que aí fica sem sentido, sem romantismo. A essência do folhetim não pode ser deixada de lado. Seja no horário das seis, das sete ou das nove, é preciso saber contar uma história e despertar a curiosidade do telespectador, para que ele queira saber o que vai acontecer no próximo capítulo. Procuro sentir se a personagem tem uma história verdadeira e se posso interpretá-la com prazer, acima de tudo. Isso depende muito do autor, dos directores e dos parceiros de cena.

Qual é o prazer que você encontra na personagem Cândida?
A história dela, contada na sinopse, me atraiu de cara. As relações de Cândida com o personagem Viriato no passado é que ocasionaram o que ela é no momento actual da novela. Há uma trajectória, uma história que contextualiza a personagem.

Algumas vilãs de sua carreira marcaram muito, como a Raquel da primeira versão de Mulheres de Areia e mais recentemente a Maria Altiva, de A Indomada. Você acha que é mais lembrada pelas malvadas que fez do que pelas heroínas?
As vilãs de novela são as desencadeadoras das acções e a consciência crítica do autor. Elas ironizam tudo. Então, de certa maneira, essas personagens também podem ser a consciência crítica do público.
Mas não tenho preferência por vilãs ou heroínas, tenho preferência por bons papéis. Em Desejo Proibido, eu e o Lima Duarte fazemos cenas em que voltamos aos 7 anos de idade. Um faz birra para o outro. Saímos um pouco do texto e brincamos. Isso dá prazer, é a essência do actor.

Você volta a trabalhar com o Lima depois de 15 anos, a última vez foi em Pedra Sobre Pedra, em 1992...
Foi, e surpreendentemente também a primeira. Por mais estranho que possa parecer, nunca tínhamos trabalhado juntos antes. Mas as pessoas nos vêem como grandes parceiros porque fizemos basicamente a mesma escola.
Éramos da Tupi. Ele estava na inauguração e eu não, porque ainda fazia minhas experiências como bailarina clássica. Entrei na emissora em 1953 e sempre cruzei com ele nos corredores. Apreciava o trabalho do Lima desde o início. Mas só em Pedra Sobre Pedra nos encontramos. A gente discutia muito nos bastidores porque minha personagem, a Hilda Pontes, era a esposa e ele defendia muito mais a outra, a Pilar Batista, de Renata Sorrah . Então ele defendia que minha personagem tinha de ser mais submissa e eu dizia que não. No final da novela o autor me deu páginas e páginas para mostrar que eu não era submissa (risos).

Com 54 anos de carreira, há muitos personagens e trabalhos que fazem você recordar histórias como essa?
Muitos. A Maria Altiva de A Indomada, Mulheres de Areia e até mesmo Ciranda de Pedra, que vai ser refeita agora, me trazem boas lembranças. Não sou saudosista, mas sinto prazer em recordar. E o que me faz ter carinho por esses trabalhos é a oportunidade que tive de brincar.
O significado da palavra representar na língua portuguesa é pobre. Tinha de ser como no inglês, no francês ou no alemão, que significa brincar. Às vezes sinto falta de cenas legais, mas procuro me divertir em todas. Sou uma actriz que consegue tornar o trabalho na televisão prazeroso .

A televisão ainda consegue surpreender você?
Prefiro surpreendê-la. Autor, director e actor têm o mesmo objectivo: entreter o público emocionando e divertindo. O humor é essencial em tudo na vida. Fiz vários trabalhos profundos ao longo da carreira e mesmo nos momentos mais dramáticos eu conseguia fazer rir.
Isso é meio chapliniano . Posso parecer pretensiosa, mas Chaplin era assim. Mostrou momentos dramáticos sem perder o humor. O que vem para as minhas mãos, eu uso. Chance a gente agarra e faz acontecer.

Em uma edição do programa Estrelas, da Globo, você agradeceu a apresentadora Angélica por tê-la entrevistado no "banco de reservas". O que você quis dizer com isso?
Eu fiquei um bom período no banco de reservas da televisão. Me senti como um jogador de futebol. Mas acho normal que uma empresa como a Globo, com um elenco de primeiríssimo time , se dê a esse luxo.
É até bom porque a gente pode se reciclar e o público não cansa de ver a nossa cara. Durante esse tempo não deixei de fazer teatro. Não desprezo o meu trabalho no cinema e muito menos na televisão, que é o entretenimento único da maioria da população. Mas a arte do actor evolui no espaço cénico livre, directo com o público. E isso acontece no teatro. Eu preciso sempre voltar a esse espaço para continuar evoluindo. É como estudar constantemente, fazer mestrado, doutorado.

Você tem algum ressentimento em relação à carreira?
É uma sabedoria de vida usar os obstáculos e dificuldades para vencer. Se você me perguntar se gosto de fazer novela, peça e filme ao mesmo tempo, eu vou responder que preferiria fazer um por vez.
Mas as dificuldades de uma carreira são tantas que quando uma chance aparece você não pode jogar fora. Ou optar e dizer com convicção: não vou fazer. É preciso saber escolher.

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Incansável sonhadora
Com 54 anos de carreira, Eva Wilma diz estar longe de ter realizado todos os seus desejos na profissão. Desde que estreou em 1953, na Tupi, a actriz sempre esteve envolvida em produções de sucesso. O primeiro trabalho na emissora, inclusive, ficou no ar por 10 anos.
Em Alô Doçura, ela contracenou com o actor John Herbert , com quem se casou em 1955, manteve a união por 20 anos e teve dois filhos. Protagonizou as primeiras versões de Mulheres de Areia, A Viagem e, já na Globo, também esteve em projectos especiais como o seriado Mulher, exibido por dois anos e em que contracenou com o marido Carlos Zara . "Foi um trabalho que deixou saudades. Minisséries e seriados permitem que a gente faça um trabalho de melhor qualidade", defende Eva. A veterana questiona ainda a pouca quantidade de especiais que a Globo leva ao ar actualmente. "De 50 ao início dos anos 80, esses programas representavam a ousadia artística da televisão", justifica ela. Eva recorda especiais que lhe renderam prémios , como Negro Léo , em 1986, e questiona: "Sei que custam caro, mas não vale a pena pelo prestígio e a satisfação que trazem?" No teatro, Eva também afirma que ainda tem muitos projectos a fazer. Vontade não falta. Só não há incentivo. "Queria montar uma peça com 20 actores e ficar ensaiando três meses. Mas no Brasil é inviável economicamente", lamenta a actriz.

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Herança alemã
Eva Wilma atribui aos seus pais o gosto pelas artes. Filha de um alemão e uma descendente de judeus russos, a actriz desde cedo teve contacto com a música e a dança. "Minha mãe sempre me estimulou a me dedicar aos estudos e ao balé da mesma forma", destaca Eva.
É do bale que ela diz ter herdado a disciplina que a actuação exige. Mas outra lembrança que ela guarda é a influência musical que sempre teve em casa. "Meu pai gostava de cantar e a gente tocava piano juntos", recorda.

 

 

 

fonte: Terra

publicado por . às 14:25
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